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Duas ideologias igualmente sanguinárias não podem ser tratadas de maneiras radicalmente distintas

O Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar os outros de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

Por que devemos tratar a foice e o martelo da mesma maneira que tratamos a suástica?

Tanto o stalinismo (uma das vertentes do comunismo/socialismo), como o nazismo, utilizaram a violência em massa. Tanto a União Soviética Stalinista, como a Alemanha nazista, utilizaram os campos de concentração liderados pelos agentes (os NKVD na União Soviética e os SS na Alemanha Nazista). Ambos os regimes estavam envolvidos com a extrema violência contra as minorias com base na xenofobia.

A violência xenófoba dos nazistas era franca e racionalizada; enquanto a violência dos stalinistas estava disfarçada sob a forma de atos contra elementos socialmente considerados, por eles, perniciosos. Tanto a União Soviética de Stalin, como a Alemanha nazista, eram sociedades extremamente violentas, onde a violência em massa foi aceita pelo Estado, como no Grande Terror de 1937-1938 na União Soviética, e no Holocausto da Alemanha nazista(1940-1945), e nos seus territórios ocupados durante as guerras.

Cartazes de propaganda nazista e comunista dos anos 1930.

Em relação aos campos de concentração, obras de historiadores como Ernest Nolte, Andreas Hiilguber e outros na década de 1980, compararam as políticas de Adolf Hitler e Josef Stalin, e traçaram um paralelo entre sistema de campos de concentração na União Soviética e na Alemanha nazista.

Estudiosos defendem a tese de que os campos de concentração nazistas foram claramente inspirados no modelo do sistema Gulag soviético, ainda mais porque Hitler era um grande admirador de Stalin. Margarete Buber-Neuman, disse em suas memórias que tanto os campos de concentração comunistas (1937-1940), como os nazistas (1940-1945), em que ela esteve, tinham métodos muito similares. Ou seja, tanto o comunismo, quanto o seu filho, nazismo, foram verdadeiros horrores na história da humanidade. Só que o nazismo está “morto”, mas o comunismo, não!

Se você pedir a um cidadão comum para pensar nos dois extremos do espectro político, são grandes as chances de que ele irá imediatamente visualizar, de um lado, a suástica e, do outro, a foice e o martelo.

Independentemente de quais sejam suas visões acerca do paradigma esquerda-direita, ou mesmo se ele acredita na teoria da ferradura, este indivíduo (corretamente) irá pensar no fascismo e no comunismo como sendo as duas ideologias típicas dos extremos.

No entanto, e curiosamente, a rejeição a ambos os símbolos não é a mesma.

Ao verem a suástica, as pessoas imediatamente são remetidas aos horrores do regime nazista, com suas perseguições étnicas e seus homicídios sistematizados, e corretamente sentem uma total repulsa. Em vários países europeus, com efeito, ostentar publicamente uma suástica é crime. Dado que os nazistas foram responsáveis pela chacina de cerca de 20 milhões de pessoas, todos nós entendemos quão abominável é esta ideologia e corretamente a tratamos com desrespeito e repugnância.

Porém, como estas mesmas pessoas reagem ao símbolo da foice e do martelo? Em várias ocasiões, há aceitação. Na maioria das vezes, há apenas indiferença. O que leva à inevitável pergunta: por que a ideologia responsável diretamente por centenas de milhões de mortes não recebe o mesmo tratamento que a ideologia nazista?

URSAL é uma sigla para União das Repúblicas Socialistas da América Latina

Todos nós “aprendemos” no colégio que o Nazismo era “de direita”, enquanto o Comunismo era “de esquerda”. Grosso modo, nossos professores diziam que o Comunismo era um regime totalitário, com estatização completa da economia, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária; enquanto o Nazismo se caracterizava por um regime totalitário, com a presença de empresas privadas, na busca de uma sociedade baseada na supremacia da raça ariana.

Recentemente, o economista Rodrigo Constantino traz um ótimo artigo argumentando que o “Nazismo e o Comunismo são dois lados da mesma moeda”, do ponto de vista político, não precisa de muito esforço para provar o óbvio: ambos os regimes eram ditatoriais, suprimiam as liberdades individuais e matavam qualquer um que se opusesse contra os seus governos.

Do ponto de vista ideológico, aprendemos que o Nazismo promovia genocídios em busca da construção de uma sociedade baseada na raça ariana. Já em relação ao comunismo, “nos ensinaram” que a ditadura do proletariado buscava a construção de uma sociedade ideal, baseada na igualdade. Curiosamente, era omitido que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo em nome da “igualdade”. E quando raramente o genocídio comunista vem à tona, passa-se a ideia de que as matanças eram justificadas em nome da construção da sociedade mais justa e igualitária, ou por desvios pessoais de alguns ditadores- embora não haja um único caso de regime comunista que não houvesse assassinatos em massa.

De outro modo, enquanto o genocídio do Nazismo é corretamente condenado, no Comunismo é romantizado. Prova disso é que temos até hoje partidos políticos abertamente comunistas e socialistas, inclusive no nome (PCdoB – Partido Comunista do Brasil, PSOL, PT, PSB, PSTU, PDT, PPS, PTB e outros). São partidos que usam siglas e se simpatizam com uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas. E o pior: a sociedade acha isso extremamente normal. Pense no contrário: já imaginou um partido abertamente nazista? Então, qual a diferença para um partido abertamente comunista de um partido nazista? Ou, o genocídio de um é justificado; e do outro, não? A romantização do Comunismo não se dá só na política, mas em outras áreas também. Em ótimo artigo, o escritor João Pereira Coutinho relata que existem restaurantes europeus que utilizam termos dos regimes comunistas em seus cardápios, como uma experiência turística gastronômica. Agora, como o próprio Coutinho frisou, já pensou um restaurante com expressões nazistas? Obviamente que embrulharia o estômago de qualquer cidadão de bem.

Novamente, qual a diferença de entrar num restaurante com nomes comunistas, de um com expressões nazistas?

Por que a mídia já prestou diversas homenagens a Fidel, um ditador que matou e levou milhares de pessoas à miséria na ilha cubana? Qual a diferença entre Fidel e Hitler? Matar em nome do combate à suposta desigualdade, pode? é isso? Seria bom os “intelectuais” explicarem por que o comunismo tem PASSE LIVRE na mídia e nas escolas, sendo, em essência, politicamente muito parecido com o regime nazista – ambos são regime totalitários que cometeram genocídios em nome de uma ideologia. Aliás, vale lembrar que a similaridade entre comunismo e nazismo se dava inclusive no nome Nationalsozialistische. Em português, nacional socialista. 

Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães
Partido Operário Social-Democrata Russo

Mas além de ideologias diferentes – uma mata em favor da igualdade; e a outra, em favor da supremacia da raça, é comum diferenciar erroneamente o comunismo do nazismo pelo regime econômico: o comunismo estaria à esquerda, pela estatização da economia; enquanto o Nazismo à direita, por permitir a presença de empresas privadas. Ora, a mera presença de empresas privadas não garantia que o Nazismo era a favor de uma economia de mercado, pelo contrário: as empresas eram privadas apenas na fachada, se comportando na prática como uma mera extensão do Estado.

Como observou o economista Ludwig von Mises, as empresas privadas sofriam interferência direta do governo como, por exemplo, controle da produção, dos lucros, dos preços e dos salários. O ponto central é que a propriedade privada existia em nome do Nazismo, de acordo Mises. Em outras palavras, as empresas privadas se comportavam como empresas estatais socialistas diante do controle de preços e salários. Evidentemente que isso vai contra completamente ao livre mercado, defendido pelos liberais e conservadores.

Em suma, o Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar a direita liberal e conservadora de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

Campanha 2018 para Presidente do Brasil. Haddad (PT) e Manuela (PCdoB) ostentam bandeira Comunista em coletiva para imprensa. Mas isso não foi noticiado pela a imprensa nacional, nem mesmo um questionamento.

Um histórico vermelho de sangue

Os atos inomináveis de Adolf Hitler empalidecem em comparação aos horrores cometidos pelos comunistas na antiga URSS, na República Popular da China e no Camboja, apenas para ficar entre os principais.

Joseph Stalin e o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, no Kremlin, em agosto de 1939, assinando o Pacto Molotov-Ribbentrop.

Entre 1917 e 1987, Vladimir Lênin, Josef Stalin e seus sucessores assassinaram 62 milhões de pessoas do seu próprio povo. O ponto de partida foi a Ucrânia, onde, de acordo com o historiador Robert Conquest, o regime comunista foi o responsável direto por 14,5 milhões de mortes.

Já entre 1949 e 1987, o comunismo da China, liderado por Mao Tsé-Tung e seus sucessores, assassinou ou de alguma maneira foi o responsável pela morte de 76 milhões de chineses (há historiadores que dizem que o número total pode ser de 100 milhões ou mais. Somente durante o Grande Salto para Frente, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões. No período anterior foi de 20 milhões. No período posterior, dezenas de milhões a mais.)

O próprio Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter “enterrado vivos 46.000 intelectuais”, o que significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados e morreriam de fome.

No Camboja, o Khmer Vermelho exterminou aproximadamente 3 milhões de cambojanos, em uma população de 8 milhões. Este radical movimento comunista comandado por Pol Pot chegou ao ponto de ter como alvo qualquer pessoa que usasse óculos. Crianças eram assassinadas a baionetas.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Destes, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que as duas grandes guerras mundiais do século XX, mais as Guerras da Coréia e do Vietnã, mataram aproximadamente 85 milhões de civis. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal que as principais guerras do século XX combinadas.

Os aliados

Ou seja, não é exatamente por falta de conhecimento. Afinal, assim como o Holocausto, os gulags da União Soviética, o Holodomor, os campos de extermínio do Camboja e a Revolução Cultural da China também são bastante conhecidos.

E, ainda assim, vários intelectuais, jornalistas e membros do meio acadêmico seguem orgulhosamente defendendo — e até mesmo fomentando abertamente — idéias comunistas. No Reino Unido, há jornalistas que abertamente apóiam o comunismo. Estátuas de Karl Marx foram erigidas por ocasião de seu 200º aniversário. Mesmo nos EUA, que sempre foi um dos países mais anti-comunistas da história, há hoje uma estátua de Vladimir Lênin na cidade de Seattle.

Tornou-se aceitável em quase todos os países do mundo (exceto na Polônia, na Geórgia, na Hungria, na Letônia, na Lituânia, na Moldávia e na Ucrânia) marchar sob a bandeira vermelha da ex-URSS, estampada com a foice e o martelo.

Para completar, Mao Tse-Tung é amplamente admirado por acadêmicos e esquerdistas de vários países, os quais cantam louvores a Mao enquanto leem seu livrinho vermelho, “Citações do Presidente Mao Tse-Tung”.

No Brasil, o PCdoB, que recentemente disputou a presidência da república como vice na chapa do PT, é historicamente maoísta.

Seja na comunidade acadêmica, na elite midiática, na elite cultural e artística, em militantes de partidos políticos, em agremiações estudantis, em movimentos ambientalistas etc., o fato é que há uma grande tolerância para com as ideias comunistas/socialistas — um sistema (de governo) que causou mais mortes e miséria humana do que todos os outros sistemas combinados.

Logo, por que exatamente duas ideologias igualmente odiosas e violentas são tratadas de maneiras tão explicitamente distintas?

Compare as duas fotos e perceba em ambas a ausência da bandeira nacional. (Alemanha foto pequena e Brasil na foto maior)

“O comunismo real nunca foi tentado!”

A resposta pode estar no erro de percepção das virtudes.

Os nazistas, corretamente, são vistos como odiosos e malignos porque toda a sua ideologia é construída em torno da ideia de que um grupo é superior a todos os outros. Trata-se de uma ideologia inerentemente supremacista e anti-indivíduo, uma violenta crença que foi colocada em prática apenas uma vez por aqueles que a conceberam.

Sendo assim, simplesmente não há uma maneira justificável e aceitável para um fascista argumentar que “Ah, mas aquilo não era o nazismo verdadeiro…”.

Já o mesmo, aparentemente, não vale para o comunismo. Ao contrário, vemos esse argumento a todo o momento. Aqueles na extrema-esquerda possuem um enorme guarda-chuvas sob o qual se abrigam todos os tipos de estilos comunistas: do stalinismo ao anarco-sindicalismo, passando pelo maoísmo, trotskismo, marxismo clássico ou mesmo pelo socialismo light.

E, dado que Karl Marx nunca implantou ele próprio suas ideias, os líderes dos regimes comunistas sempre usufruíram uma espécie de indulto para praticar suas atrocidades: quaisquer tragédias, descalabros ou crises criadas por regimes comunistas sempre podem ser atribuídas a um “erro” nas aplicações das idéias de Marx, as quais continuam sendo vistas como um mapa infalível para a utopia.

Convenientemente, os defensores desta idelogia sempre têm um passe livre para se descolarem completamente dos horrores do passado. Eles, até hoje, continuam se apresentando como pioneiros e desbravadores de uma ideologia humanitária que simplesmente ainda não teve a oportunidade de desabrochar por completo. “O comunismo de verdade nunca foi tentado!”, gritam eles após cada novo fracasso do comunismo.

Agindo desta maneira, os defensores do comunismo podem, após cada novo fracasso, continuar impavidamente se apresentando como humanitários. Eles estão apenas lutando pela libertação da classe proletária e pela criação de um paraíso dos trabalhadores, arranjo este que nada tem a ver com os fracassos e falsos profetas anteriores. A atual geração de comunistas sempre será aquela que, agora sim, irá implantar o comunismo real, e não as deturpações que foram tentadas antes.

Na pior das hipóteses, tais pessoas são vistas apenas como seres ingênuos, mas ainda assim muito bem-intencionados.

Imagine se fosse uma bandeira Nazista.

Onde estabelecer os limites?

Este é o cerne da questão. Ao passo que o nazismo sempre esteve intrinsecamente ligado aos crimes de seus adeptos, o comunismo sempre conseguiu se distanciar de suas tragédias. Ninguém toleraria a presença de uma camiseta estampada com Adolf Hitler ou Benito Mussolini, mas a foto do maníaco homicida Che Guevara em camisetas e smartphones é amplamente vista como um símbolo de descolamento e de uma pueril ideia de rebeldia juvenil.

Logo, como estabelecer os limites? A ideologia comunista, em sua forma mais pura, sempre consegue se distanciar de suas efetivas implantações, mas a partir de que ponto seu tenebroso histórico irá conseguir desacreditar quaisquer novas tentativas de se implantá-la?

Você deve reconhecer a maioria das pessoas que estão nesta foto.

Como disse o economista Murray Rothbard: “Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma “ciência lúgubre”. Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância.”

Temos de dizer o mesmo sobre o comunismo. Continuar defendendo idéias e bandeiras comunistas não obstante o pavoroso histórico desta ideologia não é uma postura nem ingênua e nem muito menos bem-intencionada. A história do comunismo é tão sanguinolenta quanto a do nazismo; aliás, é muito mais sanguinolenta.

É hora de dispensarmos a seus símbolos e a seus defensores o mesmo trato que já dispensamos aos nazistas.

De resto, um lembrete aos esquerdistas, progressistas e socialistas de hoje que se arrepiam com a simples sugestão de que sua agenda pouco difere da dos maníacos nazistas, soviéticos e maoístas: não é necessário defender campos de concentração ou conquistas territoriais para ser um tirano. O único requisito necessário é acreditar na primazia do estado sobre os direitos individuais.

“Ninguém matou mais comunista do que os próprios comunista”
por Olavo de Carvalho

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