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Duas ideologias igualmente sanguinárias não podem ser tratadas de maneiras radicalmente distintas

O Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar os outros de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

Por que devemos tratar a foice e o martelo da mesma maneira que tratamos a suástica?

Tanto o stalinismo (uma das vertentes do comunismo/socialismo), como o nazismo, utilizaram a violência em massa. Tanto a União Soviética Stalinista, como a Alemanha nazista, utilizaram os campos de concentração liderados pelos agentes (os NKVD na União Soviética e os SS na Alemanha Nazista). Ambos os regimes estavam envolvidos com a extrema violência contra as minorias com base na xenofobia.

A violência xenófoba dos nazistas era franca e racionalizada; enquanto a violência dos stalinistas estava disfarçada sob a forma de atos contra elementos socialmente considerados, por eles, perniciosos. Tanto a União Soviética de Stalin, como a Alemanha nazista, eram sociedades extremamente violentas, onde a violência em massa foi aceita pelo Estado, como no Grande Terror de 1937-1938 na União Soviética, e no Holocausto da Alemanha nazista(1940-1945), e nos seus territórios ocupados durante as guerras.

Cartazes de propaganda nazista (Adolf Hitler) e comunista (Josef Stalin) do início da década de 1930.

Em relação aos campos de concentração, obras de historiadores como Ernest Nolte, Andreas Hiilguber e outros na década de 1980, compararam as políticas de Adolf Hitler e Josef Stalin, e traçaram um paralelo entre sistema de campos de concentração na União Soviética e na Alemanha nazista.

Estudiosos defendem a tese de que os campos de concentração nazistas foram claramente inspirados no modelo do sistema Gulag soviético, ainda mais porque Hitler era um grande admirador de Stalin. Margarete Buber-Neuman, disse em suas memórias que tanto os campos de concentração comunistas (1937-1940), como os nazistas (1940-1945), em que ela esteve, tinham métodos muito similares. Ou seja, tanto o comunismo, quanto o seu filho, nazismo, foram verdadeiros horrores na história da humanidade. Só que o nazismo está “morto”, mas o comunismo, não!

Se você pedir a um cidadão comum para pensar nos dois extremos do espectro político, são grandes as chances de que ele irá imediatamente visualizar, de um lado, a suástica e, do outro, a foice e o martelo.

Independentemente de quais sejam suas visões acerca do paradigma esquerda-direita, ou mesmo se ele acredita na teoria da ferradura, este indivíduo (corretamente) irá pensar no fascismo e no comunismo como sendo as duas ideologias típicas dos extremos.

No entanto, e curiosamente, a rejeição a ambos os símbolos não é a mesma.

Ao verem a suástica, as pessoas imediatamente são remetidas aos horrores do regime nazista, com suas perseguições étnicas e seus homicídios sistematizados, e corretamente sentem uma total repulsa. Em vários países europeus, com efeito, ostentar publicamente uma suástica é crime. Dado que os nazistas foram responsáveis pela chacina de cerca de 20 milhões de pessoas, todos nós entendemos quão abominável é esta ideologia e corretamente a tratamos com desrespeito e repugnância.

Porém, como estas mesmas pessoas reagem ao símbolo da foice e do martelo? Em várias ocasiões, há aceitação. Na maioria das vezes, há apenas indiferença. O que leva à inevitável pergunta: por que a ideologia responsável diretamente por centenas de milhões de mortes não recebe o mesmo tratamento que a ideologia nazista?

URSAL é uma sigla para União das Repúblicas Socialistas da América Latina

Todos nós “aprendemos” no colégio que o Nazismo era “de direita”, enquanto o Comunismo era “de esquerda”. Grosso modo, nossos professores diziam que o Comunismo era um regime totalitário, com estatização completa da economia, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária; enquanto o Nazismo se caracterizava por um regime totalitário, com a presença de empresas privadas, na busca de uma sociedade baseada na supremacia da raça ariana.

Recentemente, o economista Rodrigo Constantino traz um ótimo artigo argumentando que o “Nazismo e o Comunismo são dois lados da mesma moeda”, do ponto de vista político, não precisa de muito esforço para provar o óbvio: ambos os regimes eram ditatoriais, suprimiam as liberdades individuais e matavam qualquer um que se opusesse contra os seus governos.

Do ponto de vista ideológico, aprendemos que o Nazismo promovia genocídios em busca da construção de uma sociedade baseada na raça ariana. Já em relação ao comunismo, “nos ensinaram” que a ditadura do proletariado buscava a construção de uma sociedade ideal, baseada na igualdade. Curiosamente, era omitido que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo em nome da “igualdade”. E quando raramente o genocídio comunista vem à tona, passa-se a ideia de que as matanças eram justificadas em nome da construção da sociedade mais justa e igualitária, ou por desvios pessoais de alguns ditadores- embora não haja um único caso de regime comunista que não houvesse assassinatos em massa.

De outro modo, enquanto o genocídio do Nazismo é corretamente condenado, no Comunismo é romantizado. Prova disso é que temos até hoje partidos políticos abertamente comunistas e socialistas, inclusive no nome (PCdoB – Partido Comunista do Brasil, PSOL, PT, PSB, PSTU, PDT, PPS, PTB e outros). São partidos que usam siglas e se simpatizam com uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas. E o pior: a sociedade acha isso extremamente normal. Pense no contrário: já imaginou um partido abertamente nazista? Então, qual a diferença para um partido abertamente comunista de um partido nazista? Ou, o genocídio de um é justificado; e do outro, não? A romantização do Comunismo não se dá só na política, mas em outras áreas também. Em ótimo artigo, o escritor João Pereira Coutinho relata que existem restaurantes europeus que utilizam termos dos regimes comunistas em seus cardápios, como uma experiência turística gastronômica. Agora, como o próprio Coutinho frisou, já pensou um restaurante com expressões nazistas? Obviamente que embrulharia o estômago de qualquer cidadão de bem.

Novamente, qual a diferença de entrar num restaurante com nomes comunistas, de um com expressões nazistas?

Por que a mídia já prestou diversas homenagens a Fidel, um ditador que matou e levou milhares de pessoas à miséria na ilha cubana? Qual a diferença entre Fidel e Hitler? Matar em nome do combate à suposta desigualdade, pode? é isso? Seria bom os “intelectuais” explicarem por que o comunismo tem PASSE LIVRE na mídia e nas escolas, sendo, em essência, politicamente muito parecido com o regime nazista – ambos são regime totalitários que cometeram genocídios em nome de uma ideologia. Aliás, vale lembrar que a similaridade entre comunismo e nazismo se dava inclusive no nome Nationalsozialistische. Em português, nacional socialista. 

Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães
Partido Operário Social-Democrata Russo


Veja a foto acima. Perceba a existência da foice, do martelo e da suástica nazista. Trata-se do broche REICH MARK, cunhado em 1934, pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (no vernáculo Deutsch: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), comemorativo ao Dia do Trabalhador (tag der arbeit) na Alemanha, no mesmo ano. Ou seja, feito pelo PARTIDO NAZISTA.
Fabricante Alemão personalizava as peças.
Germany – Tag Der Arbeit 1934 number 2 Paul Schulze & Co MbN Lubeck.

Uma mata em favor da suposta “igualdade” controlada pelo Estado; e a outra, em favor da suposta “supremacia da raça”, é comum diferenciar erroneamente o comunismo do nazismo pelo regime econômico: o comunismo estaria à esquerda, pela estatização da economia; enquanto o Nazismo à direita, por permitir a presença de empresas privadas. Ora, a mera presença de empresas privadas não garantia que o Nazismo era a favor de uma economia de mercado, pelo contrário: as empresas eram privadas apenas na fachada, se comportando na prática como uma mera extensão do Estado.

Postcard Nationaler Feiertag 1934, Tag der Deutschen Arbeit – Cartão Postal Feriado Nacional 1934, Dia do Trabalho Alemão. Perceba a propaganda do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista). Martelo na mão e os trabalhadores mobilizados para a revolta, carregando bandeiras nazistas. Podemos até confundir com a revolução Russa se não fosse a suástica no desenho.

Como observou o economista Ludwig von Mises, as empresas privadas sofriam interferência direta do governo como, por exemplo, controle da produção, dos lucros, dos preços e dos salários. O ponto central é que a propriedade privada existia em nome do Nazismo, de acordo Mises. Em outras palavras, as empresas privadas se comportavam como empresas estatais socialistas diante do controle de preços e salários. Evidentemente que isso vai contra completamente ao livre mercado, defendido pelos liberais e conservadores.

Em suma, o Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar a direita liberal e conservadora de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

Campanha 2018 para Presidente do Brasil. Haddad (PT) e Manuela (PCdoB) ostentam bandeira Comunista em coletiva para imprensa. Mas este fato não foi noticiado pela a imprensa nacional, nem mesmo um questionamento foi feito.

Um histórico vermelho de sangue

Os atos inomináveis de Adolf Hitler empalidecem em comparação aos horrores cometidos pelos comunistas na antiga URSS, na República Popular da China e no Camboja, apenas para ficar entre os principais.

Joseph Stalin e o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, no Kremlin, em agosto de 1939, assinando o Pacto Molotov-Ribbentrop.

Entre 1917 e 1987, Vladimir Lênin, Josef Stalin e seus sucessores assassinaram 62 milhões de pessoas do seu próprio povo. O ponto de partida foi a Ucrânia, onde, de acordo com o historiador Robert Conquest, o regime comunista foi o responsável direto por 14,5 milhões de mortes.

Já entre 1949 e 1987, o comunismo da China, liderado por Mao Tsé-Tung e seus sucessores, assassinou ou de alguma maneira foi o responsável pela morte de 76 milhões de chineses (há historiadores que dizem que o número total pode ser de 100 milhões ou mais. Somente durante o Grande Salto para Frente, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões. No período anterior foi de 20 milhões. No período posterior, dezenas de milhões a mais.)

O próprio Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter “enterrado vivos 46.000 intelectuais”, o que significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados e morreriam de fome.

No Camboja, o Khmer Vermelho exterminou aproximadamente 3 milhões de cambojanos, em uma população de 8 milhões. Este radical movimento comunista comandado por Pol Pot chegou ao ponto de ter como alvo qualquer pessoa que usasse óculos. Crianças eram assassinadas a baionetas.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Destes, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas, dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que as duas grandes guerras mundiais do século XX, mais as Guerras da Coréia e do Vietnã, mataram aproximadamente 85 milhões de civis. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal que as principais guerras do século XX somadas.

Os aliados

Ou seja, não é exatamente por falta de conhecimento. Afinal, assim como o Holocausto, os Gulags da União Soviética, o Holodomor, os campos de extermínio do Camboja e a Revolução Cultural da China também são bastante conhecidos.

E, ainda assim, vários intelectuais, jornalistas e membros do meio acadêmico seguem orgulhosamente defendendo, e até mesmo fomentando abertamente, as idéias comunistas. No Reino Unido, há jornalistas que abertamente apoiam o comunismo. Estátuas de Karl Marx foram erguidas por ocasião de seu 200º aniversário. Mesmo nos EUA, que sempre foi um dos países mais anti-comunistas da história, há hoje uma estátua de Vladimir Lênin na cidade de Seattle.

Tornou-se aceitável em quase todos os países do mundo (exceto na Polônia, na Geórgia, na Hungria, na Letônia, na Lituânia, na Moldávia e na Ucrânia) marchar sob a bandeira vermelha da ex-URSS, estampada com a foice e o martelo.

Para completar, Mao Tse-Tung é amplamente admirado por acadêmicos e esquerdistas de vários países, os quais cantam louvores a Mao enquanto leem seu livrinho vermelho, “Citações do Presidente Mao Tse-Tung”.

No Brasil, o PCdoB, que recentemente disputou a presidência da república como vice na chapa do PT, é historicamente Maoísta, ou seja, defende as ideias de Mao Tse-Tung.

Seja na comunidade acadêmica, na elite midiática, na elite cultural e artística, em militantes de partidos políticos, em agremiações estudantis, em movimentos ambientalistas etc., o fato é que há uma grande tolerância para com as ideias comunistas/socialistas, um sistema (de governo) que causou mais mortes e miséria humana do que todos os outros sistemas juntos.

Logo, por que exatamente duas ideologias igualmente odiosas e violentas são tratadas de maneiras tão explicitamente distintas?

Compare as duas fotos e perceba em ambas a ausência da bandeira nacional. (Alemanha foto pequena e Brasil na foto maior)

“O comunismo real nunca foi tentado!”

Os nazistas, corretamente, são vistos como odiosos e malignos porque toda a sua ideologia é construída em torno da ideia de que um grupo é superior a todos os outros. Trata-se de uma ideologia inerentemente supremacista e anti-indivíduo, uma violenta crença que foi colocada em prática apenas uma vez por aqueles que a conceberam.

Sendo assim, simplesmente não há uma maneira justificável e aceitável para um fascista argumentar que “Ah, mas aquilo não era o nazismo verdadeiro…”.

Já o mesmo, aparentemente, não vale para o comunismo. Ao contrário, vemos esse argumento a todo o momento. Aqueles na extrema-esquerda possuem um enorme guarda-chuvas sob o qual se abrigam todos os tipos de estilos comunistas: do stalinismo ao anarco-sindicalismo, passando pelo maoísmo, trotskismo, marxismo clássico ou mesmo pelo socialismo light.

E, dado que Karl Marx nunca implantou ele próprio suas ideias, os líderes dos regimes comunistas sempre usufruíram uma espécie de indulto para praticar suas atrocidades: quaisquer tragédias, descalabros ou crises criadas por regimes comunistas sempre podem ser atribuídas a um “erro” nas aplicações das idéias de Marx, as quais continuam sendo vistas como um mapa infalível para a utopia.

Convenientemente, os defensores desta idelogia sempre têm um passe livre para se descolarem completamente dos horrores do passado. Eles, até hoje, continuam se apresentando como pioneiros e desbravadores de uma ideologia humanitária que simplesmente ainda não teve a oportunidade de desabrochar por completo. “O comunismo de verdade nunca foi tentado!”, gritam eles após cada novo fracasso do comunismo.

Agindo desta maneira, os defensores do comunismo podem, após cada novo fracasso, continuar impavidamente se apresentando como humanitários. Eles estão apenas lutando pela libertação da classe proletária e pela criação de um paraíso dos trabalhadores, arranjo este que nada tem a ver com os fracassos e falsos profetas anteriores. A atual geração de comunistas sempre será aquela que, agora sim, irá implantar o comunismo real, e não as deturpações que foram tentadas antes.

Na pior das hipóteses, tais pessoas são vistas apenas como seres ingênuos, mas ainda assim muito bem-intencionados.

Imagine se fosse uma bandeira Nazista.

Onde estabelecer os limites?

Este é o cerne da questão. Ao passo que o nazismo sempre esteve intrinsecamente ligado aos crimes de seus adeptos, o comunismo sempre conseguiu se distanciar de suas tragédias. Ninguém toleraria a presença de uma camiseta estampada com Adolf Hitler ou Benito Mussolini, mas a foto do maníaco homicida Che Guevara em camisetas e smartphones é amplamente vista como um símbolo de descolamento e de uma pueril ideia de rebeldia juvenil.

Logo, como estabelecer os limites? A ideologia comunista, em sua forma mais pura, sempre consegue se distanciar de suas efetivas implantações, mas a partir de que ponto seu tenebroso histórico irá conseguir desacreditar quaisquer novas tentativas de se implantá-la?

Você deve reconhecer a maioria das pessoas que estão nesta foto.

Como disse o economista Murray Rothbard: “Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma “ciência lúgubre”. Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância.”

Temos de dizer o mesmo sobre o comunismo. Continuar defendendo idéias e bandeiras comunistas não obstante o pavoroso histórico desta ideologia não é uma postura nem ingênua e nem muito menos bem-intencionada. A história do comunismo é tão sanguinolenta quanto a do nazismo; aliás, é muito mais sanguinolenta.

É hora de dispensarmos a seus símbolos e a seus defensores o mesmo trato que já dispensamos aos nazistas.

De resto, um lembrete aos esquerdistas, progressistas e socialistas de hoje que se arrepiam com a simples sugestão de que sua agenda pouco difere da dos maníacos nazistas, soviéticos e maoístas: não é necessário defender campos de concentração ou conquistas territoriais para ser um tirano. O único requisito necessário é acreditar na primazia do estado sobre os direitos individuais.

“Ninguém matou mais comunista do que os próprios comunista”
por Olavo de Carvalho


Entrevista completa de Adolf Hitler para o Jornal The Guardian (1923)

Esta entrevista editada de Adolf Hitler por George Sylvester Viereck ocorreu em 1923. Foi republicada na revista Liberty em julho de 1932.

Adolf Hitler esvaziou a taça como se não contivesse chá, mas a alma do bolchevismo. “O bolchevismo, o chefe dos camisas pardas, os fascistas da Alemanha”, continuou olhando fixamente para mim “é nossa maior ameaça. Matar o bolchevismo na Alemanha e restaurar 70 milhões de pessoas ao poder. A França deve sua força não aos seus exércitos mas às forças do bolchevismo e da dissensão em nosso meio.”

“O socialismo é uma antiga instituição ariana, germânica. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo.”

“O Tratado de Versalhes e o Tratado de St. Germain são mantidos vivos pelo bolchevismo na Alemanha. O Tratado de Paz e o bolchevismo são duas cabeças de um monstro. Devemos decapitar ambos”.

Quando Adolf Hitler anunciou o advento do Terceiro Reich, que ele proclama, parecia o fim do arco-íris. Então veio a eleição após a eleição. Cada vez mais, o poder de Hitler cresceu. Embora incapaz de desalojar Hindenburg da presidência, hoje Hitler lidera o maior partido da Alemanha. A menos que Hindenburg assuma medidas ditatoriais, ou algum desenvolvimento inesperado de Hitler organizará o Reichstag e dominará o governo. A luta de Hitler não foi contra Hindenburg, mas contra o chanceler Bruening. É duvidoso que o sucessor de Bruening possa se sustentar sem o apoio dos nacional-socialistas.

“Nós escolhemos nos chamar de Nacional Socialistas. Nós não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das justas reivindicações das classes produtivas pelo Estado com base na raça e solidariedade. Para nós, estado e raça são um.”

Muitos dos que votaram em Hindenburg estavam no coração de Hitler, mas algum senso de lealdade profundamente enraizado os impelia, no entanto, a votar para o velho marechal de campo. A menos que, de um dia para o outro, surja um novo líder, não há ninguém na Alemanha, com exceção de Hindenburg, que poderia derrotar Hitler — e Hindenburg tem 85 anos! O tempo e a recalcitrância da luta francesa por Hitler, a menos que algum erro de sua parte, ou dissensão dentro das fileiras do partido, prive-o de sua oportunidade de desempenhar o papel de Mussolini da Alemanha.

O primeiro império alemão chegou ao fim quando Napoleão forçou o imperador austríaco a entregar sua coroa imperial. O segundo império chegou ao fim quando Guilherme II, seguindo o conselho de Hindenburg, buscou refúgio na Holanda. O terceiro império está emergindo lenta mas seguramente, embora possa dispensar cetros e coroas.

Não conheci Hitler em seu quartel-general, mas em uma casa marrom em Munique, uma casa particular — a residência de um ex-almirante da Marinha alemã. Discutimos o destino da Alemanha tomando chá.

“Por que”, perguntei a Hitler, “você se considera um nacional-socialista, já que seu programa partidário é a própria antítese do creditado ao socialismo?”

“Socialismo”, ele retrucou, abaixando sua xícara de chá, assertivamente “é a ciência de lidar com o bem comum. Comunismo não é socialismo. Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu tirarei o socialismo dos socialistas.”

“O socialismo é uma antiga instituição ariana, germânica. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. O socialismo não envolve negação da personalidade e, ao contrário do marxismo, é patriótico.”

“Poderíamos ter nos denominado o Partido Liberal. Nós escolhemos nos chamar de Nacional Socialistas. Nós não somos internacionalistas. NOSSO SOCIALISMO É NACIONAL. Exigimos o cumprimento das justas reivindicações das classes produtivas pelo Estado com base na raça e solidariedade. Para nós, estado e raça são um.”

O próprio Hitler não é um tipo puramente germânico. Seu cabelo escuro trai um ancestral alpino. Durante anos ele se recusou a ser fotografado. Isso fazia parte de sua estratégia — ser conhecido apenas por seus amigos para que, na hora da crise, ele pudesse aparecer aqui, ali e em toda parte sem ser detectado. Hoje ele não podia mais passar despercebido através da aldeia mais obscura da Alemanha. Sua aparência contrasta estranhamente com a agressividade de suas opiniões. Nenhum reformador educado mais brando já afundou o próprio barco ou cortou a garganta política.

“O que”, continuei meu interrogatório, “são as tábuas fundamentais da sua plataforma?”

“Acreditamos em uma mente saudável em um corpo saudável. O corpo político deve ser sadio se a alma quiser ser saudável. A saúde moral e física são sinônimas.”… “Mussolini”, interrompi, “disse o mesmo para mim”. Hitler sorriu.

“As favelas”, acrescentou ele, “são responsáveis ​​por nove décimos, o álcool por um décimo de toda depravação humana. Nenhum homem saudável é marxista. Homens saudáveis ​​reconhecem o valor da personalidade. Nós lutamos contra as forças do desastre e A Baviera é comparativamente saudável porque não é completamente industrializada, mas toda a Alemanha, incluindo a Baviera, está condenada a um industrialismo intenso pela pequenez do nosso território. Se quisermos salvar a Alemanha, devemos garantir que os nossos agricultores permaneçam fiéis. Para isso, eles devem ter espaço para respirar e espaço para trabalhar.”

“Onde você vai encontrar o espaço para trabalhar?”

“Devemos manter nossas colônias e devemos nos expandir para o leste. Houve uma época em que poderíamos ter compartilhado o domínio do mundo com a Inglaterra. Agora podemos esticar nossos membros apertados apenas para o leste. O Báltico é necessariamente um lago alemão.”

Perguntei, “Não é possível que a Alemanha reconquiste o mundo economicamente sem ampliar seu território?”

Hitler sacudiu a cabeça com sinceridade.

“O imperialismo econômico, como o imperialismo militar, depende do poder. Não pode haver comércio mundial em larga escala sem poder mundial. Nosso povo não aprendeu a pensar em termos de poder mundial e comércio mundial. No entanto, a Alemanha não pode estender comercialmente ou territorialmente, até que ela recupere o que perdeu e até que ela se encontre.”

“Estamos na posição de um homem cuja casa foi incendiada. Ele deve ter um teto sobre sua cabeça antes de poder entrar em planos mais ambiciosos. Conseguimos criar um abrigo de emergência que impede a chuva. Não foi preparada para pedras de granizo. No entanto, os infortúnios vieram à tona: a Alemanha vive em uma verdadeira nevasca de catástrofes nacionais, morais e econômicas.”

“Nosso sistema partidário desmoralizado é um sintoma de nosso desastre. As maiorias parlamentares flutuam com o clima do momento. O governo parlamentar abre o portão do bolchevismo.”

“Ao contrário de alguns militaristas alemães, você não é a favor de uma aliança com a Rússia soviética?”

Hitler evitou uma resposta direta a essa pergunta. Ele fugiu novamente quando o Liberty lhe pediu que respondesse à declaração de Trotsky de que sua suposição de poder na Alemanha envolveria uma luta de vida ou morte entre a Europa, liderada pela Alemanha e a Rússia Soviética.

Pode não servir Hitler para atacar o bolchevismo na Rússia. Ele pode até olhar para uma aliança com o bolchevismo como sua última carta, se ele está em perigo de perder o jogo. Se, ele intimou em uma ocasião, o capitalismo se recusa a reconhecer que os nacional-socialistas são o último baluarte da propriedade privada, se o capital impede sua luta, a Alemanha pode ser forçada a lançar-se nos braços sedutores da sirene da Rússia Soviética. Mas ele está determinado a não permitir que o bolchevismo crie raízes na Alemanha.

Ele respondeu cautelosamente no passado aos avanços do chanceler Bruening e outros que desejavam formar uma frente política unida. É improvável que agora, em vista do aumento constante do voto dos Nacional-Socialistas, Hitler esteja disposto a comprometer qualquer princípio essencial com outras partes.

“As combinações políticas das quais uma frente unida depende…”, observou Hitler, “…são instáveis demais. Tornam quase impossível uma política claramente definida. Eu vejo em toda parte o curso em zigue-zague de compromisso e concessão. Nossas forças construtivas são controladas pela tirania. Nós cometemos o erro de aplicar a aritmética e a mecânica do mundo econômico ao estado vivo. Somos ameaçados por números sempre crescentes e ideais sempre decrescentes. Meros números não são importantes.”

“Mas suponha que a França revide contra você mais uma vez invadindo seu solo? Ela [A França] invadiu o Ruhr uma vez antes. Ela pode invadi-lo novamente.”

“Não importa”, Hitler, completamente exaltado, retrucou: “quantos quilômetros quadrados o inimigo pode ocupar se o espírito nacional for despertado. Dez milhões de alemães livres, prontos para perecer para que seu país viva, sejam mais potentes que 50 milhões cuja força de vontade está paralisada e cuja consciência racial está infectada por estrangeiros.

“Queremos uma Alemanha maior, unindo todas as tribos germânicas. Mas nossa salvação pode começar no menor dos cantos. Mesmo que tivéssemos apenas 10 acres de terra e estivéssemos determinados a defendê-los com nossas vidas, os 10 acres se tornariam o foco da regeneração. Nossos obreiros têm duas almas: uma é alemã, a outra é marxiana, devemos despertar a alma alemã, devemos arrancar o cancro do marxismo, o marxismo e o germanismo são antíteses.”

“No meu do estado alemão, não haverá espaço para o estrangeiro, nem para o vagabundo, para o usurário ou especulador, ou para qualquer pessoa incapaz de um trabalho produtivo.”

As veias na testa de Hitler se destacavam ameaçadoramente. Sua voz encheu a sala. Houve um barulho na porta. Seus seguidores, que sempre permanecem dentro do alcance de um chamado, como uns guarda-costas, lembraram o líder de seu dever de conduzir uma reunião.

Hitler engoliu seu chá e se levantou.

Fonte: The Guardian — ‘No room for the alien, no use for the wastrel’


O livro “Mein Kampf” (Minha Luta), de Hitler

Uma obra de dois volumes de autoria de Adolf Hitler, o primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo foi escrito por Hitler fora da prisão e editado em 1926, ambos com diversas contradições e radicalismo, mas com muitas informações históricas e referencias. Contudo, além do Hitler contar sua trajetória política, ele também expõe seu pensamento e sua ideologia. Na obra, no entanto, Hitler se mostra hostil tanto ao capitalismo liberal quanto ao marxismo.

Mas obviamente hoje podemos perceber com clareza que sua ideologia possuía mais proximidade com o socialismo nacionalista, como ele mesmo se refere em entrevista ao The Guardian em 1923. (entrevista acima)

O que muitos historiadores colocam em questão é que Hitler capturou para sua ideologia muitas coisas aplicadas por Lenin, por quem existia admiração.

Leia os trechos de “Mein Kampf”

É perceptível neste trecho do livro, que Hitler se divertia, na década de 20, com as dúvidas que pairavam sobre seus pensamentos políticos ideológicos. Veja no trecho abaixo sua revolta contra o capitalismo liderado pelos Judeus na Alemanha da época.

“Só a cor vermelha dos nossos cartazes fazia com que eles afluíssem às nossas salas de reunião. A burguesia mostrava-se horrorizada por nós termos também recorrido à cor vermelha dos bolchevistas, suspeitando, atrás disso, alguma atitude ambígua. Os espíritos nacionalistas da Alemanha cochichavam uns aos outros a mesma suspeita, de que, no fundo, não éramos senão uma espécie de marxistas, talvez simplesmente mascarados marxistas ou, melhor, socialistas. A diferença entre marxismo e socialismo até hoje ainda não entrou nessas cabeças. Especialmente, quando se descobriu, que, nas nossas assembleias, tínhamos por princípio não usar os termos “Senhores e Senhoras” mas “Companheiros e Companheiras”, só considerando entre nós o coleguismo de partido, o fantasma marxista surgiu claramente diante de muitos adversários nossos. Quantas boas gargalhadas demos à custa desses idiotas e poltrões burgueses, nas suas tentativas de decifrarem o enigma da nossa origem, nossas intenções e nossa finalidade!”

Na maioria das vezes, ele associa o capitalismo aos judeus e também ao marxismo, jogando tudo no mesmo balaio:

“Não precisamos dizer nada sobre os mentirosos jornais marxistas. Para eles o mentir é tão necessário como para os gatos o miar. Seu único objetivo é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional e dos seus senhores, os judeus.”

Abaixo, Hitler elogia o exército alemão que, por se opor aos países capitalistas na Primeira Grande Guerra, França e Inglaterra, representaria o bastião contra o capitalismo internacional. Talvez uma forma de angariar a simpatia das forças armadas para seu projeto.

“Se a fúria dos aproveitadores internacionais em Versalhes se dirigia contra o antigo exército alemão é que este era o último reduto das nossas liberdades na luta contra o capitalismo internacional.”

Note que Marxismo e Capitalismo, para Hitler, eram forças a mando dos judeus, que eram quem manipulavam as peças do tabuleiro internacional:

“O marxismo possui um objetivo e também conhece a atuação construtora (somente, porém, quando se trata de estabelecer o despotismo do capitalismo internacional judeu),…”

Em outro parte, mais uma vez Hitler associa o Socialismo ao capitalismo internacional, que seria dominado por judeus. O resultado da Primeira Guerra, bem como do Tratado de Versalhes que a sucedeu, seriam obras deles:

“Mas a tropa de assalto marxista do capitalismo internacional judaico só poderá quebrar definitivamente a espinha dorsal do Estado alemão mediante a assistência amigável de fora. Por isso, os exércitos da França devem ocupar a Alemanha, até que o Reich, corroído no interior, seja dominado pelas forças bolchevistas a serviço do capitalismo judaico internacional.”

Por fim, pelo Mein Kampf não é possível afirmar se Hitler era de esquerda ou de direita, pois ele não reivindica para si ou para o movimento nazista nenhuma dessas definições, antes, combate os dois. O fato de Hitler dar especial enfoque no ataque aos marxistas também não significa que ele estaria no exato lado oposto do espectro ideológico. O fato é que o movimento marxista era mais perigoso estrategicamente para Hitler que os políticos liberais e burgueses, uma vez que na luta pelo poder os marxistas eram um concorrente direto. Da mesma forma, no início da Revolução Russa, os piores inimigos dos comunistas Bolcheviques eram os Mencheviques, socialistas moderados, que eram mais próximos ideologicamente deles que os próprios Czaristas. Então, analisar algo por aquilo que ele combate não é um bom parâmetro.

Assim, pelo Mein Kampf de Hitler, não podemos afirmar que Nazismo é de direita ou de esquerda, pois mesmo na época eles não se consideravam nem de um nem de outro lado. Porém, podemos analisar com qual lado ele mais se assemelha ou tem mais características e ideias em comum.

Olhando de forma distanciada o fenômeno do Nazismo, sem ideias preconcebidas, podemos perceber que, apesar de Hitler não querer se associar a ninguém, há sim alguns conceitos ao espectro da direita, como o nacionalismo. Porém, a maior parte das características do Nazismo se aproxima do marxismo e do socialismo, como o desprezo às liberdades individuais, o totalitarismo, o estatismo, o coletivismo, o ateísmo e a falta de liberdade de mercado, além do pensamento revolucionário violento. Hitler era um socialista nacionalista.

George Reisman, professor emérito de Economia na Universidade de Pepperdine (Malibu, Califórnia)

George Reisman, professor emérito de Economia na Universidade de Pepperdine (Malibu, Califórnia), num artigo em que comenta o nazismo socialista de Hitler, diz que o socialismo “de fato” começou na Alemanha Nazista com a introdução do controle de preços e salários em 1936. Tais controles foram impostos como resposta ao aumento na quantidade de dinheiro na economia praticada pelo regime nazista desde a época da sua chegada ao poder, no início de 1933.

O controle de preços e salários foi imposto em resposta ao aumento de preços resultante desta inflação. O efeito causado pela combinação entre inflação e controle de preços foi a escassez, ou seja, a situação na qual a quantidade de bens que as pessoas tentam comprar excede a quantidade disponível para a venda.

O governo nazista não apenas impôs o controle de preços e salários, mas ampliou sua administração para o que era produzido, qual a quantidade e como se dava a sua distribuição. A combinação do controle de preços e salários com as medidas ampliadas constituíram a socialização real do poder econômico alemão. Era o governo exercendo todos os poderes substantivos da propriedade.

Ludwig von Mises entendia que essas medidas intervencionistas de Hitler na economia eram o modelo alemão ou nazista de socialismo, em contraste ao mais óbvio socialismo dos soviéticos, ao qual ele chama de modelo russo ou bolchevique de socialismo.

Hitler não precisou matar para expropriar a propriedade dos alemães (à exceção dos judeus). O nazismo implantou o socialismo discretamente, por meio do controle de preços, salários e da produção nacional, dando um aspecto aparente de manutenção da propriedade privada. Com as empresas sob total controle estatal, sequer havia a necessidade de os empresários defender o que achavam que lhes pertencia, diz George Reisman.


Ernesto Henrique Fraga Araújo (Porto Alegre, 15 de maio de 1967) é um diplomata brasileiro e atual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, anunciado em 14 de novembro de 2018 pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.

Pela aliança liberal-conservadora.

Texto do Ministro Ernesto Araújo

A esquerda fica apavorada cada vez que ressurge o debate sobre a possibilidade de classificar o nazismo como movimento de esquerda. Dá a impressão de que existe aí um perigoso segredo de família, cuidadosamente guardado. Eu opinei que o nazismo é de esquerda, e imediatamente a esquerda (junto com o mainstream por ela dominado sem o saber) chegou correndo com seus extintores de incêndio, ou melhor, seus extintores de verdade, tentando apagar essa ideia.

Porém os extintores de verdade já estão ficando secos e os inibidores de pensamento já não funcionam.

Livres dessa inibição, podemos facilmente notar que o nazismo tinha traços fundamentais que recomendam classificá-lo na esquerda do espectro político. O nazismo era anti-capitalista, anti-religioso, coletivista, contrário à liberdade individual, promovia a censura e o controle do pensamento pela propaganda e lavagem cerebral, era contrário às estruturas tradicionais da sociedade. Tudo isso o caracteriza como um movimento de esquerda.

Portanto, o nazismo era anti-liberal e anti-conservador. A esquerda também é anti-liberal e anti-conservadora. Já a direita foi em alguns casos anti-liberal (durane o Século XIX na Europa, por exemplo), em outros casos anti-conservadora (ou pelo menos não-conservadora, indiferente aos valores conservadores, como no caso do neoliberalismo recente), mas nunca foi anti-liberal e anti-conservadora ao mesmo tempo. Em tal sentido, o nazismo se sente muito mais confortável no campo da esquerda do que no da direita.

De maneira esquemática, podemos dizer que o nazismo constituiu um amálgama esquerdista-conservador, onde a ideologia revolucionária capturou e utilizou para seus fins um dos importantes elementos do campo conservador, o nacionalismo. Não podemos esquecer que o resultado final do conflito mundial desencadeado pelo nazismo foi excelente para a esquerda: um mundo em grande parte dominado pelo comunismo e uma cisão completa entre direita liberal e direita conservadora, com esta última humilhada e demonizada. O nazismo, tanto em sua ascensão quanto em sua derrocada, praticamente esfacelou as potências liberais da Europa Ocidental e seus impérios, abrindo caminho para o totalitarismo comandado pela URSS (aliada de primeira hora da Alemanha Nazista) e sua expansão mundial, que colocou em cheque e quase derrotou a única potência não-comunista restante, os Estados Unidos. Impossível saber se foi tudo planejado, possivelmente não, mas o impulso e a forma geral desse gigantesco movimento – o nazismo como ponta de lança do movimento revolucionário comunista – parece bastante visível, tal como apontava Hayek.(*)

O comunismo só pôde ser derrotado quando surgiu um poderoso amálgama liberal-conservador na figura de Ronald Reagan. Essa combinação entretanto foi efêmera e, logo após o fim da URSS, começou a dar lugar ao amálgama esquerdista-liberal, o globalismo, onde a ideologia revolucionária, por meio do marxismo cultural, sequestrou a globalização econômica e começou a pilotá-la.

Quebrar o amálgama esquerdista-liberal e substituí-lo por um novo amálgama liberal-conservador é talvez a grande tarefa de nosso tempo, pelo menos a tarefa dos amantes da liberdade e dos defensores da dignidade e da profundidade humana.

Mas é mesmo possível uma direita que seja ao mesmo tempo liberal e conservadora? O que está surgindo no Brasil e em outros países com outros formatos mas o mesmo espírito, como na Polônia, na Hungria e nos EUA de Trump, é justamente isso, o amálgama liberal-conservador, onde o anseio de uma economia aberta e a defesa das liberdades individuais se somam à promoção dos valores do patriotismo, da fé e da família.

A esquerda brasileira e mundial entra em pânico diante desse amálgama e por isso o ataca tão visceralmente, pois o reconhece como seu grande adversário: enquanto lutar somente contra o liberalismo ou somente contra o conservadorismo, a esquerda sempre levará vantagem, e portanto é isso que ela quer. A liga liberal-conservadora produz um aço firme, capaz de enfrentar a esquerda mesmo com o domínio que esta criou sobre a mídia e a academia.

A força dessa liga provém, talvez, do fato de que ele corresponde à essência do ser humano, que quer ao mesmo tempo liberdade e segurança, prosperidade e orgulho de si mesmo, paz e aventura, alegria e transcendência.

Essa direita liberal-conservadora nada tem de “extrema”. Ela é extrema apenas no sentido de que se opõe à esquerda ao longo de todo o espectro do pensamento político, indo desde a defesa das virtudes da economia de mercado e do empreendedorismo até a defesa da vida a partir da concepção e de uma visão espiritualizada do ser humano.

No Brasil, hoje, tudo o que a esquerda quer é estrangular, ainda no berço, a aliança liberal-conservadora. A esquerda instiga a divisão e sonha em ver os liberais destruírem os conservadores, em nome da governabilidade ou da moderação, para em seguida poder ela própria derrotar os liberais com a habitual facilidade. Esse sonho da esquerda é o pesadelo do Brasil. Não podemos voltar ao pesadelo, depois de ter aberto os olhos, há tão pouco tempo, para a realidade da esperança.

(*) “It is more than probable that the real meaning of the German revolution is that the long dreaded expansion of communism into the heart of Europe has taken place but is not recognized because the fundamental similarity of methods and ideas is hidden by the difference in phraseology and the privileged groups.” F.A. Hayek, citado em artigo de Paul Jossey disponível em https://medium.com/@PaulHJossey/the-nazis-were-leftists-deal-with-it-b7f12cc53b6f

Nazismo, fascismo e comunismo são farinha do mesmo saco

Hoje em dia, a qualquer propósito, especialmente quando se defende princípios não afinados com os da esquerda, as pessoas são tachadas de “fascista”. Assim, me pergunto: o esquerdista, quando chama alguém de fascista, o faz por ignorância ou por má fé? Talvez pelos dois motivos. Neste sentido, pareceu-me interessante esclarecer o que é fascismo.

Fascismo e nazismo são contemporâneos e de doutrinas semelhantes. Um foi criado na Itália por Mussolini e o outro na Alemanha por Adolf Hitler. Mussolini, de um lado, afirmou a identidade de princípios entre o fascismo e o nazismo durante o banquete que ofereceu ao “Führer” e, de outro lado, o Sr. Hitler declarou textualmente aos jornalistas que o foram entrevistar:

“Folgo também em registrar a íntima compreensão entre o fascismo e o nazismo. É, sem dúvida, o mesmo mundo que o nosso. A comunhão de ideias é partilhada pelos dois povos, conforme o Sr. Mussolini pode constatar durante a sua viagem à Alemanha, da mesma forma que eu o constato na minha atual viagem à Itália”.

“Não só estas declarações”, diz o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, como outras do Sr. Hitler, que não reproduzimos por atenção à brevidade, comprovam por assim dizer oficialmente nossa tese. Também foi particularmente expressivo o banquete de confraternização dos partidos nazista e fascista, oferecido em um velho monumento da Roma pagã pelo secretário geral do fascismo ao secretário geral do partido nazista.

Apesar de nazistas e fascistas dizerem que são diferentes entre si, o Grande Conselho Fascista da Itália, em uma reunião no começo do mês de fevereiro de 1939, aprovou por unanimidade uma declaração em que reafirma “a solidariedade política, ideal e militar, que une as duas revoluções fascista e nacional-socialista”.

Os esquerdistas que acusam os direitistas de fascistas desconhecem também a semelhança de doutrina e de fins do fascismo com o comunismo. O Prof. Plinio, nas páginas do “Legionário”, denunciou a falácia de que o fascismo e o nazismo são movimentos anticomunistas. Assim, o denuncia:

“A Itália concluiu um acordo comercial com a Rússia, e, segundo o ‘Manchester Guardian’, a Alemanha dispõe-se a dar aos comunistas um crédito industrial de 200 a 300 milhões de marcos em material bélico, enquanto que a Rússia lhe forneceria matérias-primas em troca.”

“Onde está o anticomunismo dos Srs. Hitler e Mussolini? Só se compreende essas gentilezas, se ambos julgam que tratados comerciais e fornecimento de material bélico são meios seguros de extinguir o comunismo na Rússia. Mas, como não fazemos aos Srs. Hitler e Mussolini a injúria de duvidar de suas inteligências, somos forçados a crer que o nazismo e o fascismo não são tão inimigos do comunismo como parecem.”

Em outro artigo também publicado no “Legionário” em 8 de julho de l945, o Prof. Plinio denuncia o nazismo e o fascismo como “os dois maiores ‘bluffs’ da ‘contra-revolução’”:

“No decurso da guerra mundial de 1914 e particularmente após ela, justamente com a aceitação dos movimentos da extrema esquerda e diante da ameaça do caos bolchevista, surge uma forte reação contra o liberalismo, principal responsável pela confusão então reinante e caldo de cultura de todas as campanhas revolucionárias do mundo moderno. Manifestou-se esse anti-liberalismo não apenas em alguns partidos políticos, mas em todas as esferas sociais, e seu espírito começou a se infiltrar mais e mais na literatura, penetrando em todas as organizações católicas e mesmo em ambientes acatólicos. A mocidade sobretudo era anti-liberal. A própria palavra ‘liberal’ tornou-se injuriosa.”

“É nesta altura que as forças secretas resolvem ‘fazer a contra-revolução antes que os povos a fizessem’… Surgem como cogumelos os sociólogos e ensaístas políticos a deblaterar contra a corrupção e falência do liberalismo. E ao lado de uma legítima reação contra a desagregação liberal, insinua-se o fascismo e logo em seguida o nazismo, para apenas citar os dois maiores ‘bluffs’ da ‘contra-revolução’, empunhando o estandarte da pseudo-reação e da pseudo-direita.”

Muitos se enganam, portanto, ao pensar que fascistas e nazistas são anticomunistas. Na verdade, nazismo, fascismo e comunismo são farinha do mesmo saco. Assim, aqueles que acusam de “fascistas” os que defendem a família, a propriedade e os bons costumes são eles mesmos, de fato, os verdadeiros fascistas.

O que realmente é o fascismo

Todo mundo sabe que o termo fascista é hoje pejorativo; um adjetivo frequentemente utilizado para se descrever qualquer posição política da qual o orador não goste. Não há ninguém no mundo atual propenso a bater no peito e dizer “Sou um fascista; considero o fascismo um grande sistema econômico e social.”

Porém, afirmo que, caso fossem honestos, a vasta maioria dos políticos, intelectuais e ativistas do mundo atual teria de dizer exatamente isto a respeito de si mesmos.

O fascismo é o sistema de governo que opera em conluio com grandes empresas (as quais são favorecidas economicamente pelo governo), que carteliza o setor privado, planeja centralizadamente a economia subsidiando grandes empresários com boas conexões políticas, exalta o poder estatal como sendo a fonte de toda a ordem, nega direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos (como a liberdade de empreender em qualquer mercado que queira) e torna o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade.

Tente imaginar algum país cujo governo não siga nenhuma destas características acima. Tal arranjo se tornou tão corriqueiro, tão trivial, que praticamente deixou de ser notado pelas pessoas. Praticamente ninguém conhece este sistema pelo seu verdadeiro nome.

É verdade que o fascismo não possui um aparato teórico abrangente. Ele não possui um teórico famoso e influente como Marx. Mas isso não faz com que ele seja um sistema político, econômico e social menos nítido e real. O fascismo também prospera como sendo um estilo diferenciado de controle social e econômico. E ele é hoje uma ameaça ainda maior para a civilização do que o socialismo completo. Suas características estão tão arraigadas em nossas vidas — e já é assim há um bom tempo — que se tornaram praticamente invisíveis para nós.

E se o fascismo é invisível para nós, então ele é um assassino verdadeiramente silencioso. Assim como um parasita suga seu hospedeiro, o fascismo impõe um estado tão enorme, pesado e violento sobre o livre mercado, que o capital e a produtividade da economia são completamente exauridos. O estado fascista é como um vampiro que suga a vida econômica de toda uma nação, causando a morte lenta e dolorosa de uma economia que outrora foi vibrante e dinâmica.

As origens do fascismo

A última vez em que as pessoas realmente se preocuparam com o fascismo foi durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, dizia-se ser imperativo que todos lutassem contra este mal. Os governos fascistas foram derrotados pelos aliados, mas a filosofia de governo que o fascismo representa não foi derrotada. Imediatamente após aquela guerra mundial, uma outra guerra começou, esta agora chamada de Guerra Fria, a qual opôs o capitalismo ao comunismo. O socialismo, já nesta época, passou a ser considerado uma forma mais branda e suave de comunismo, tolerável e até mesmo louvável, mas desde que recorresse à democracia, que é justamente o sistema que legaliza e legitima a contínua pilhagem da população.

Enquanto isso, praticamente todo o mundo havia esquecido que existem várias outras cores de socialismo, e que nem todas elas são explicitamente de esquerda. O fascismo é uma dessas cores.

Não há dúvidas quanto às origens do fascismo. Ele está ligado à história da política italiana pós-Primeira Guerra Mundial. Em 1922, Benito Mussolini venceu uma eleição democrática e estabeleceu o fascismo como sua filosofia. Mussolini havia sido membro do Partido Socialista Italiano.

Todos os maiores e mais importantes nomes do movimento fascista vieram dos socialistas. O fascismo representava uma ameaça aos socialistas simplesmente porque era uma forma mais atraente e cativante de se aplicar no mundo real as principais teorias socialistas. Exatamente por isso, os socialistas abandonaram seu partido, atravessaram o parlamento e se juntaram em massa aos fascistas.

Foi também por isso que o próprio Mussolini usufruiu uma ampla e extremamente favorável cobertura na imprensa durante mais de dez anos após o início de seu governo. Ele era recorrentemente celebrado pelo The New York Times, que publicou inúmeros artigos louvando seu estilo de governo. Ele foi louvado em coletâneas eruditas como sendo o exemplo de líder de que o mundo necessitava na era da sociedade planejada. Matérias pomposas sobre o fanfarrão eram extremamente comuns na imprensa americana desde o final da década de 1920 até meados da década de 1930.

Qual o principal elo entre o fascismo e o socialismo? Ambos são etapas de um continuum que visa ao controle econômico total, um continuum que começa com a intervenção no livre mercado, avança até a arregimentação dos sindicatos e dos empresários, cria leis e regulamentações cada vez mais rígidas, marcha rumo ao socialismo à medida que as intervenções econômicas vão se revelando desastrosas e, no final, termina em ditadura.

O que distingue a variedade fascista de intervencionismo é a sua recorrência à ideia de estabilidade para justificar a ampliação do poder do estado. Sob o fascismo, grandes empresários e poderosos sindicatos se aliam entusiasticamente ao estado para obter proteção e estabilidade contra as flutuações econômicas, isto é, as expansões e contrações de determinados setores do mercado em decorrência das constantes alterações de demanda por parte dos consumidores. A crença é a de que o poder estatal pode suplantar a soberania do consumidor e substituí-la pela soberania dos produtores e sindicalistas, mantendo ao mesmo tempo a maior produtividade gerada pela divisão do trabalho.

Os adeptos do fascismo encontraram a perfeita justificativa teórica para suas políticas na obra de John Maynard Keynes. Keynes alegava que a instabilidade do capitalismo advinha da liberdade que o sistema garantia ao “espírito animal” dos investidores. Ora guiados por rompantes de otimismo excessivo e ora derrubados por arroubos de pessimismo irreversível, os investidores estariam continuamente alternando entre gastos estimuladores e entesouramentos depressivos, fazendo com que a economia avançasse de maneira intermitente, apresentando uma sequência de expansões e contrações.

Keynes propôs eliminar esta instabilidade por meio de um controle estatal mais rígido sobre a economia, com o estado controlando os dois lados do mercado de capitais. De um lado, um banco central com o poder de inflacionar a oferta monetária por meio da expansão do crédito iria determinar a oferta de capital para financiamento e estipular seu preço, e, do outro, uma ativa política fiscal e regulatória iria socializar os investimentos deste capital.

Em uma carta aberta ao presidente Franklin Delano Roosevelt, publicado no The New York Times em 31 de dezembro de 1933, Keynes aconselhava seu plano:

Na área da política doméstica, coloco em primeiro plano um grande volume de gastos sob os auspícios do governo. Em segundo lugar, coloco a necessidade de se manter um crédito abundante e barato. … Com estas sugestões . . . posso apenas esperar com grande confiança por um resultado exitoso. Imagine o quanto isto significaria não apenas para a prosperidade material dos Estados Unidos e de todo o mundo, mas também em termos de conforto para a mente dos homens em decorrência de uma restauração de sua fé na sensatez e no poder do governo. (John Maynard Keynes, “An Open Letter to President Roosevelt,” New York Times, December 31, 1933 in ed. Herman Krooss, Documentary History of Banking and Currency in the United States, Vol. 4 (New York: McGraw Hill, 1969), p. 2788.)

Keynes se mostrou ainda mais entusiasmado com a difusão de suas ideias na Alemanha. No prefácio da edição alemã da Teoria Geral, publicada em 1936, Keynes escreveu:

A teoria da produção agregada, que é o que este livro tenciona oferecer, pode ser adaptada às condições de um estado totalitário com muito mais facilidade do que a teoria da produção e da distribuição sob um regime de livre concorrência e laissez-faire. (John Maynard Keynes, “Prefácio” da edição alemã de 1936 da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, traduzido e reproduzido in James J. Martin, Revisionist Viewpoints (Colorado Springs: Ralph Myles, 1971), pp. 203?05.)

Controle estatal do dinheiro, do crédito, do sistema bancário e dos investimentos é a base exata de uma política fascista. Historicamente, a expansão do controle estatal sob o fascismo seguiu um padrão previsível. O endividamento e a inflação monetária pagaram pelos gastos estatais. A resultante expansão do crédito levou a um ciclo de expansão e recessão econômica. O colapso financeiro gerado pela recessão resultou na socialização dos investimentos e em regulamentações mais estritas sobre o sistema bancário, ambos os quais permitiram mais inflação monetária, mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos. O subsequente declínio no poder de compra do dinheiro justificou um controle de preços e salários, o qual se tornou o ponto central do controle estatal generalizado. Em alguns casos, tudo isso aconteceu rapidamente; em outros, o processo se deu de maneira mais lenta. Porém, em todos os casos, o fascismo sempre seguiu este caminho e sempre descambou no total planejamento centralizado.

Na Itália, local de nascimento do fascismo, a esquerda percebeu que sua agenda anticapitalista poderia ser alcançada com muito mais sucesso dentro do arcabouço de um estado autoritário e planejador. Keynes teve um papel-chave ao fornecer uma argumentação pseudo-científica contra o laissez-faire do velho mundo e em prol de uma nova apreciação da sociedade planejada. Keynes não era um socialista da velha guarda. Como ele próprio admitiu na introdução da edição nazista da Teoria Geral, o nacional-socialismo era muito mais favorável às suas ideias do que uma economia de mercado.

Características

Examinando a história da ascensão do fascismo, John T. Flynn, em seu magistral livro As We Go Marching, de 1944, escreveu:

Um dos mais desconcertantes fenômenos do fascismo é a quase inacreditável colaboração entre homens da extrema-direita e da extrema-esquerda para a sua criação. Mas a explicação para este fenômeno aparentemente contraditório jaz na seguinte questão: tanto a direita quanto a esquerda juntaram forças em sua ânsia por mais regulamentação. As motivações, os argumentos, e as formas de expressão eram diferentes, mas todos possuíam um mesmo objetivo, a saber: o sistema econômico tinha de ser controlado em suas funções essenciais, e este controle teria de ser exercido pelos grupos produtores.

Flynn escreveu que a direita e a esquerda discordavam apenas quanto a quem seria este ‘grupo de produtores’. A esquerda celebrava os trabalhadores como sendo os produtores. Já a direita afirmava que os produtores eram os grandes grupos empresariais. A solução política de meio-termo — a qual prossegue até hoje, e cada vez mais forte — foi cartelizar ambos.

Sob o fascismo, o governo se torna o instrumento de cartelização tanto dos trabalhadores (desde que sindicalizados) quanto dos grandes proprietários de capital. A concorrência entre trabalhadores e entre grandes empresas é tida como algo destrutivo e sem sentido; as elites políticas determinam que os membros destes grupos têm de atuar em conjunto e agir cooperativamente, sempre sob a supervisão do governo, de modo a construírem uma poderosa nação.

Os fascistas sempre foram obcecados com a ideia de grandeza nacional. Para eles, grandeza nacional não consiste em uma nação cujas pessoas estão se tornando mais prósperas, com um padrão de vida mais alto e de maior qualidade. Não. Grandeza nacional ocorre quando o estado incorre em empreendimentos grandiosos, faz obras faraônicas, sedia grandes eventos esportivos e planeja novos e dispendiosos sistemas de transporte.

Em outras palavras, grandeza nacional não é a mesma coisa que a sua grandeza ou a grandeza da sua família ou a grandeza da sua profissão ou do seu empreendimento. Muito pelo contrário. Você tem de ser tributado, o valor do seu dinheiro tem de ser depreciado, sua privacidade tem de ser invadida e seu bem-estar tem de ser diminuído para que este objetivo seja alcançado. De acordo com esta visão, é o governo quem tem de nos tornar grandes.

Tragicamente, tal programa possui uma chance de sucesso político muito maior do que a do antigo socialismo. O fascismo não estatiza a propriedade privada como faz o socialismo. Isto significa que a economia não entra em colapso quase que imediatamente. Tampouco o fascismo impõe a igualdade de renda. Não se fala abertamente sobre a abolição do casamento e da família ou sobre a estatização das crianças. A religião não é proibida.

Sob o fascismo, a sociedade como a conhecemos é deixada intacta, embora tudo seja supervisionado por um poderoso aparato estatal. Ao passo que o socialismo tradicional defendia uma perspectiva globalista, o fascismo é explicitamente nacionalista ou regionalista. Ele abraça e exalta a ideia de estado-nação.

Quanto à burguesia, o fascismo não busca a sua expropriação. Em vez disso, a classe média é agradada com previdência social, educação gratuita, benefícios médicos e, é claro, com doses maciças de propaganda estatal estimulando o orgulho nacional.

O fascismo utiliza o apoio conseguido democraticamente para fazer uma arregimentação nacional e, com isso, controlar mais rigidamente a economia, impor a censura, cartelizar empresas e vários setores da economia, escolher empresas vencedoras e privilegiá-las com subsídios, repreender dissidentes e controlar a liberdade dos cidadãos. Tudo isso exige um contínuo agigantamento do estado policial.

Sob o fascismo, a divisão entre esquerda e direita se torna amorfa. Um partido de esquerda que defende programas socialistas não tem dificuldade alguma em se adaptar e adotar políticas fascistas. Sua agenda política sofre alterações ínfimas, a principal delas sendo a sua maneira de fazer marketing.

O próprio Mussolini explicou seu princípio da seguinte maneira: “Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Ele também disse: “O princípio básico da doutrina Fascista é sua concepção do Estado, de sua essência, de suas funções e de seus objetivos. Para o Fascismo, o Estado é absoluto; indivíduos e grupos, relativos.”

O futuro

Não consigo imaginar qual seria hoje uma prioridade maior do que uma séria e efetiva aliança anti-fascista. De certa maneira, ainda que muito desconcertada, uma resistência já está sendo formada. Não se trata de uma aliança formal. Seus integrantes sequer sabem que fazem parte dela. Tal aliança é formada por todos aqueles que não toleram políticos e politicagens, que se recusam a obedecer leis fascistas convencionais, que querem mais descentralização, que querem menos impostos, que querem poder importar bens sem ter de pagar tarifas escorchantes, que protestam contra a inflação e seu criador, o Banco Central, que querem ter a liberdade de se associar a quem quiserem e de comprar e vender de acordo com termos que eles próprios decidirem, que querem empreender livremente, que insistem em educar seus filhos por conta própria. Principalmente, por aqueles investidores, poupadores e empreendedores que realmente tornam possível qualquer crescimento econômico e por aqueles que resistem ao máximo a divulgar dados pessoais para o governo e para o estado policial.

Tal aliança é também formada por milhões de pequenos e independentes empreendedores que estão descobrindo que a ameaça número um à sua capacidade de servir aos outros por meio do mercado é exatamente aquela instituição que alega ser nossa maior benfeitora: o governo.

Quantas pessoas podem ser classificadas nesta categoria? Mais do que imaginamos. O movimento é intelectual. É cultural. É tecnológico. Ele vem de todas as classes, raças, países e profissões. Não se trata de um movimento meramente nacional; ele é genuinamente global. Não mais podemos prever se os membros se consideram de esquerda, de direita, independentes, libertários, anarquistas ou qualquer outra denominação. O movimento inclui pessoas tão diversas como pais adeptos do ensino domiciliar em pequenas cidades e pais em áreas urbanas cujos filhos estão encarcerados por tempo indeterminado e sem nenhuma boa razão (senão pelo fato de terem consumido substâncias não-aprovadas pelo estado).

E o que este movimento quer? Nada mais e nada menos do que a doce liberdade. Ele não está pedindo que a liberdade seja concedida ou dada. Ele apenas pede a liberdade que foi prometida pela própria vida, e que existiria na ausência do estado leviatã que nos extorque, escraviza, intimida, ameaça, encarcera e mata. Este movimento não é efêmero. Somos diariamente rodeados de evidências que demonstram que ele está absolutamente correto em suas exigências. A cada dia, torna-se cada vez mais óbvio que o estado não contribui em absolutamente nada para o nosso bem-estar. Ao contrário, ele maciçamente subtrai nosso padrão de vida.

Nos anos 1930, os defensores do estado transbordavam de ideias grandiosas. Eles possuíam teorias e programas de governo que gozavam o apoio de vários intelectuais sérios. Eles estavam emocionados e excitados com o mundo que iriam criar. Eles iriam abolir os ciclos econômicos, criar desenvolvimento social, construir a classe média, curar todas as doenças, implantar a seguridade universal, acabar com a escassez e fazer vários outros milagres. O fascismo acreditava em si próprio.

Hoje o cenário é totalmente distinto. O fascismo não possui nenhuma ideia nova, nenhum projeto grandioso — nem mesmo seus partidários realmente acreditam que podem alcançar os objetivos almejados. O mundo criado pelo setor privado é tão mais útil e benevolente do que qualquer coisa que o estado já tenha feito, que os próprios fascistas se tornaram desmoralizados e cientes de que sua agenda não possui nenhuma base intelectual real.

É algo cada vez mais amplamente reconhecido que o estatismo não funciona e nem tem como funcionar. O estatismo é e continua sendo a maior mentira do milênio. O estatismo nos dá o exato oposto daquilo que promete. Ele nos promete segurança, prosperidade e paz. E o que ele nos dá é medo, pobreza, conflitos, guerra e morte. Se queremos um futuro, teremos nós mesmos de construí-lo. O estado fascista não pode nos dar nada. Ao contrário, ele pode apenas atrapalhar.

Por outro lado, também parece óbvio que o antigo romance dos liberais clássicos com a ideia de um estado limitado já se esvaneceu. É muito mais provável que os jovens de hoje abracem uma ideia que 50 anos atrás era tida como inimaginável: a ideia de que a sociedade está em melhor situação sem a existência de qualquer tipo de estado.

Eu diria que a ascensão da teoria anarcocapitalista foi a mais dramática mudança intelectual ocorrida em minha vida adulta. Extinta está a ideia de que o estado pode se manter limitado exclusivamente à função de vigilante noturno, mantendo-se como uma entidade pequena que irá se limitar a apenas garantir direitos essenciais, adjudicar conflitos, e proteger a liberdade. Esta visão é calamitosamente ingênua. O vigia noturno é o sujeito que detém as armas, que possui o direito legal de utilizar de violência, que controla todas as movimentações das pessoas, que possui um posto de comando no alto da torre e que pode ver absolutamente tudo. E quem vigia este vigia? Quem limita seu poder? Ninguém, e é exatamente por isso que ele é a fonte dos maiores males da sociedade. Nenhuma lei, nenhuma constituição bem fundamentada, nenhuma eleição, nenhum contrato social irá limitar seu poder.

Com efeito, o vigia noturno adquiriu poderes totais. É ele quem, como descreveu Flynn, “possui o poder de promulgar qualquer lei ou tomar qualquer medida que lhe seja mais apropriada”. Enquanto o governo, continua Flynn, “estiver investido do poder de fazer qualquer coisa sem nenhuma limitação prática às suas ações, ele será um governo totalitário. Ele possui o poder total”.

Este é um ponto que não mais pode ser ignorado. O vigia noturno tem de ser removido e seus poderes têm de ser distribuídos entre toda a população, e esta tem de ser governada pelas mesmas forças que nos trazem todas as bênçãos possibilitadas pelo mundo material.

No final, esta é a escolha que temos de fazer: o estado total ou a liberdade total. O meio termo é insustentável no longo prazo. Qual iremos escolher? Se escolhermos o estado, continuaremos afundando cada vez mais, e no final iremos perder tudo aquilo que apreciamos enquanto civilização. Se escolhermos a liberdade, poderemos aproveitar todo o notório poder da cooperação humana, o que irá nos permitir continuar criando um mundo melhor.

Na luta contra o fascismo, não há motivos para se desesperar. Temos de continuar lutando sempre com a total confiança de que o futuro será nosso, e não deles.

O mundo deles está se desmoronando. O nosso está apenas começando a ser construído. O mundo deles é baseado em ideologias falidas. O nosso é arraigado na verdade, na liberdade e na realidade. O mundo deles pode apenas olhar para o passado e ter nostalgias daqueles dias gloriosos. O nosso olha para frente e contempla todo o futuro que estamos construindo para nós mesmos. O mundo deles se baseia no cadáver do estado-nação. O nosso se baseia na energia e na criatividade de todas as pessoas do mundo, unidas em torno do grande e nobre projeto da criação de uma civilização próspera por meio da cooperação humana pacífica.

É verdade que eles possuem armas grandes e poderosas. Mas armas grandes e poderosas nunca foram garantia de vitória em guerras. Já nós possuímos a única arma que é genuinamente imortal: a ideia certa. E é isso que nos levará à vitória.

Como disse Mises,

No longo prazo, até mesmo o mais tirânico dos governos, com toda a sua brutalidade e crueldade, não é páreo para um combate contra ideias. No final, a ideologia que obtiver o apoio da maioria irá prevalecer e retirar o sustento de sob os pés do tirano. E então os vários oprimidos irão se elevar em uma rebelião e destronar seus senhores.

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