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Reflexões sobre a greve dos caminhoneiros

Na noite de ontem (domingo 27) o Presidente Michel Temer anunciou uma série de medidas que beneficiam o setor de transportes rodoviários, com destaque maior nas desonerações para o óleo diesel.

A “conta” destas medidas serão pagas por todos os brasileiros. Nós pagaremos através de impostos, ou redução de incentivos a outras áreas, as medidas tomadas pelo governo. A gasolina poderá ficar ainda mais cara, e outros tributos que incidem sobre o preço dos produtos e seus ganhos serão impactados. 

O Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, deixou bem claro que irá retirar subsídios de outras áreas para compensar o reajuste do diesel. Até novos impostos foram cogitados para tapar o buraco que os 46 centavos por litro de diesel irão deixar. Não importa o que será feito, dinheiro não dá em árvore. De uma forma ou de outra a conta será paga por todos os brasileiros.

Quero deixar bem claro!! Sou favorável ao movimento dos caminhoneiros. Mas a diferença entre o remédio e o veneno é quase sempre a dosagem. Importante não “passar” do ponto. 

Mas infelizmente estão perdendo uma grande oportunidade de dar um BASTA nesta imoralidade e desrespeito com o dinheiro público. Estão errando na dosagem.

As reivindicações deveriam ser organizadas, objetivas e pensadas de uma forma mais ampla, estender aos outros combustíveis e ainda dizer de onde deveriam vir os recursos. Porque não sugerir que acabem com o Fundo Partidário e o chamado Fundo Eleitoral que irão financiar campanhas neste ano. Ambos são abastecidos por recursos públicos já reservados, R$ 863 milhões e R$ 1,7 bilhão, respectivamente. Mas isso não será suficiente, é urgente reduzir o tamanho do Estado, exigir reformas e acabar com os privilégios em todas as esferas do serviço público. E porque não exigir o voto impresso nas próximas eleições. Atrelar estas condições teria sido ótimo para todos.

O governo cedeu em tudo no que foi reivindicado: preço do diesel, redução de impostos, previsibilidade nos reajustes, tabela mínima de fretes e mudança nos pedágios federais, estaduais e municipais. Uma negociação que irá custar de R$ 9,5 bilhões a R$ 13,5 bilhões ao tesouro nacional. De onde virá este dinheiro?

Aceito pagar a conta dos caminhoneiros, mas não aceito pagar a conta de Brasília!! 

Devemos exigir a redução de impostos e burocracia e a queda no preço dos combustíveis acompanhada por reformas que cortem gastos inúteis, privilégios e mamatas dos 3 poderes. 

Só assim faremos justiça não só para os caminhoneiros, mas para TODOS os brasileiros que acordam cedo e trabalham todos os dias. A questão é muito delicada e complexa, não será em uma única “tacada” que o problema será resolvido.

É preciso pensar em médio e longo prazo. Um tratamento disciplinado, contínuo e obstinado pela cura do organismo.

Por isso é importante não errar na dosagem/tempo, corremos o risco de matar todos envenenados. O prejuízo de uma paralisação prolongada será destruidora para o país. Certamente os mais prejudicados serão os produtores rurais que assistirão o perecimento de seus animais e de seus produtos agrículas. E este “buraco” na cadeia produtiva irá chegar na mesa de todos os brasileiros, tenha certeza disso. 

Deve-se atacar o câncer com quimioterapia, mas não matar todo o organismo.

Até o momento foi somente um movimento de “cobertor curto”. Nada muda, tira de uma ponta e coloca a carga em outra.

Também é importante colocar mais um elemento complicador nesta equação. No crescimento econômico do Brasil, nos anos de 2009 até 2012, nunca se vendeu tantos caminhões no país. Através do BNDES e programas de incentivo do governo federal, a frota de caminhões no Brasil mais que triplicou. Em momentos de crescimento econômico e abundância de oferta de transporte tudo transcorria perfeitamente. Já em 2016 entidades ligadas ao setor informavam que existia um excedente de mais de 200 mil caminhões no Brasil, fato que somado a queda vertiginosa do consumo, da economia e consecutivamente a queda da oferta de carga, obrigaram as margens de lucro dos caminhoneiros serem achatadas ao extremo. Pedágios escorchantes, estradas esburacadas e sendo a “gota d’água” os últimos reajustes de combustível da Petrobras. Não foi possível mais suportar.

Esta greve também escancara a nossa dependência das rodoviais. Há décadas o Brasil transforma ferrovias e maquinários em ferros velhos, enferrujados e retorcidos pelo tempo e pelo descaso. A rede ferroviária brasileira, excluindo a de transporte urbano, tem 29 mil quilômetros de extensão. O Japão possui 27 mil km de ferrovias ativas, praticamente a mesma extensão que o Brasil, mesmo tendo um território minúsculo comparado ao nosso país. Para se ter uma noção, o Japão é 22,5 vezes menor que a do Brasil, e apenas 50% maior que o Estado de São Paulo, cuja área é de 248.209 km² – Brasil: 8.514.877 km² (5ª maior mundial) – Japão: 377.944 km² (61ª maior mundial).

Temos ainda que pensar nas hidrovias. O Brasil possui uma das mais extensas e diversificadas redes fluviais do mundo, com um potencial de cerca de 50 mil quilômetros de rios navegáveis. Mas não explora nem mesmo a metade dessas rotas que poderiam baratear o transporte de cargas no País, especialmente os produtos do agronegócio.

Logo que a fumaça começar a baixar, precisaremos lidar com a séria questão tributária brasileira. Não existe solução fácil. E se não vencermos o mal maior, a crise fiscal, teremos a total falência do Estado Brasileiro.

Corremos um grande risco de nos tornarmos uma Venezuela de tamanho continental e definitivamente afundar o Brasil no comunismo. Basta errar na dosagem.

O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, acabou com a política de preços do governo anterior, que passaram a flutuar de acordo com as variações do petróleo no mercado internacional. Como se faz, em geral, em todas as outras companhias do ramo no mundo. Estamos sentindo agora o reflexo desta mudança que estava sendo represada “equivocadamente” (leia-se: motivos eleitorais) pelo governo petista.

Mas isso não explica tudo. Nossa gasolina é muito mais cara que a gasolina americana, por exemplo. Um litro de gasolina hoje nos Estados Unidos custa cerca de R$ 3,10 (convertido em reais). Além de ser mais pura a gasolina impacta bem menos no orçamento familiar dos norte americanos. A renda per capita dos brasileiros corresponde a 15% da renda per capita dos norte americanos. Nosso litro de gasolina está na casa dos R$ 4,50 (e subindo), provavelmente a mais cara do mundo.

Nos EUA, no valor de 1(um) litro de gasolina 18% são impostos, no Brasil a extorsão é de 45%

Os 45% são compostos por 29% de ICMS (Imposto Estadual) e 16% de CIDE, PIS/PASEP e COFINS (Impostos Federais). Ou seja, a maior fatia vai para o seu Estado.

Sabemos que os Estados da Federação estão a beira do colapso financeiro. Uma situação calamitosa imposta por má gestão e corrupção durante décadas. Muitos atrasam salários de policiais, de professores e outros funcionários públicos. Tirar deles o ICMS seria o colapso total das contas públicas e da sociedade que conhecemos.

Precisamos urgentemente atacar o tamanho do Estado, os desperdícios, gastos públicos, reformar imediatamente a Previdência, privatizar o que for necessário e acabar com os privilégios nos 3 poderes.

Infelizmente o Brasil precisa tomar decisões muito duras e pouco “populares”. É inevitável que tenhamos que participar efetivamente desta nova fase de reconstrução de nosso País. Como integrantes de uma mesma família, assolada pelo desemprego, onde todos terão que abrir mão de muita coisa, até que tudo seja resolvido.

Como uma família, somente com a UNIÃO DE TODOS, poderemos superar o desafio.

A quem interessa esta crise de abastecimento que levará ao caus social? 

Não esqueça! As Eleições de 2018 são fundamentais neste processo.

Eleições limpas devemos exigir.

Eleger os mesmo significa que teremos os mesmos resultados.

Pense bem!!! 2018 o ano da virada.

Que Deus esteja conosco.

Forte abraço.

Luiz Salatino

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